
Dono de uma das três melhores campanhas como mandante no Brasileirão 2026, o Vitória confirmou o favoritismo e venceu o Vasco pela contagem mínima na noite desta quinta-feira, no Barradão. Ao contrário de outras partidas dentro de casa nesta temporada, o rubro-negro ficou devendo em desempenho, e era inferior aos cariocas quando encaixou uma boa pressão na saída de bola rival.
O Vasco, apesar da boa metade inicial de 2º tempo, também não atuou bem na estreia de mais um treinador em 2026. Pecou demais na parte técnica e não encontrou regularidade para ser fluente no ataque. O nível do jogo escancarou a óbvia disparidade entre o que vimos na Copa do Mundo e o que duas equipes de investimento modesto entregam no Brasileirão.
Escalações
Jair Ventura não teve Nathan Mendes. Optou por improvisar o canhoto Jamerson na lateral-direita, já que Mateus Silva está sem ritmo. No meio, Caíque Gonçalves foi o desfalque. Zé Vitor, Gabriel Baralhas e Emmanuel Martinez formaram o setor. Diego Tarzia foi a escolha a partir da ponta-esquerda. Matheuzinho ficou no banco.
Já Pedro Emanuel, em sua estreia no Vasco, não contou com Saldívia. Cuesta e Robert Renan formaram a zaga. Spinelli foi a opção para o centro do ataque. Andrés Gómez começou no banco e Nuno Moreira foi o titular da ponta-esquerda.
Como Vitória e Vasco iniciaram o duelo válido pela 19ª rodada do Brasileirão 2026 — Foto: Rodrigo Coutinho
O jogo
Apesar da iniciativa de buscar a bola para agredir o Vitória nos minutos iniciais, o Vasco não conseguiu encontrar êxito nesta empreitada. Tentou promover flutuações de Nuno Moreira da esquerda para o meio, algumas de Adson da direita para a mesma direção, fazer com que os laterais ocupassem os flancos, mas mostrou-se muito confuso na ocupação de espaços e errou demais tecnicamente.
O Vitória fechava bem o centro do campo. Apresentava intensidade e concentração ao defender, além de compactação entre os setores, mas o Cruzmaltino fez muito pouco para achar combinações que pudessem iludir a defesa rubro-negra. Afobação, imprecisão, e desordem no posicionamento não proporcionaram produtividade. Quando chegou perto disso, os arremates foram bloqueados.
O Nêgo, natural pelo trabalho mais longevo, foi mais organizado ao entrar em fase ofensiva. Na maioria das vezes prendeu Jamerson pela direita e soltou Ramon pela esquerda. Erick mantinha-se aberto no flanco destro, e Tarzia flutuava da ponta canhota para o meio, tentava se aproximar de Renê ou o do trio de meias.
Vitória x Vasco — Foto: Márcio José/AGIF
Emmanuel Martinez e Baralhas foram um pouco mais influentes. Já Zé Vitor esteve apagado até deixar o gramado com uma lesão no joelho aos 37 minutos. Pochettino o substituiu em sua estreia no Leão da Barra. Assim como os cariocas, os anfitriões penavam para mostrar algo de relevante tecnicamente, apesar da maior presença no ataque e fluência para circular a bola de um lado a outro.
A situação melhorou um pouco para o Vitória depois dos 35 minutos, período em que conseguiu levar perigo em finalizações de Erick e Baralhas. Léo Jardim impediu que o placar fosse aberto em uma delas. A capacidade de recuperar a bola rapidamente e inibir contragolpes adversários foi um trunfo, assim como a mobilidade de Renê no ataque.
Nenhuma das duas equipes tentava progredir ao ataque com trocas de passe curto quando pressionadas, e isso deixava muitas vezes a partida com um somatório de posses curtas de parte a parte, além de trocas de transições rápidas e imprecisas após as disputas de primeira e segunda bola. O Vasco conseguiu, enfim, levar perigo aos seis minutos da 2ª etapa.
Puma Rodriguez não aproveitou o corte errado de Cacá após boa trama envolvendo Cuiabano, Spinelli e Thiago Mendes, e bateu para fora ao sair diante de Lucas Arcanjo. O lance parece ter dado mais confiança ao Cruzmaltino, que passou a rondar a área com maior frequência. Andrés Gómez e Brenner substituíram Rojas e Spinelli antes dos 15 minutos. Nuno Moreira passou a ser o meia-central.
Vitória x Vasco — Foto: Márcio José/AGIF
Jair Ventura tirou Renê, bastante apagado no 2º tempo, para a entrada de Renato Kayzer. Mas o momento do jogo era do Vasco. Andrés Gómez gerou o volume costumeiro. Em menos de dez minutos em campo conseguiu uma finalização perigosa e cruzou para Puma Rodriguez cabecear para fora. Cuiabano e Thiago Mendes melhoraram na parte técnica e isso foi outra mola propulsora ao time.
Quando parecia perto de abrir o placar, o Gigante da Colina acabou entregando um gol ao Vitória. O time da casa pressionou a saída de bola carioca, que ao contrário de grande parte do jogo, tentou sair com passes curtos. Cauan Barros foi desarmado por Diego Tarzia dentro da área defensiva e Renato Kayzer marcou aos 24 minutos.
Marino Hinestroza foi a terceira cartada oriunda do banco de Pedro Emanuel. Adson saiu. Jair Ventura tinha apenas mais uma parada para mexer, e a utilizou para promover a estreia de Britez, ex-Fortaleza. Ele entou na lateral-direita. Jamerson saiu. Fabri e Marinho também entraram. Tarzia e Erick deixaram o gramado.
Renato Kayser - Vitória x Vasco - Brasileirão - Barradão — Foto: Márcio José/AGIF
Nos visitantes, Nuno Moreira e Thiago Mendes estavam bem desgastados. Tchê Tchê e David entraram nos lugares deles. Apesar de uma boa cabeçada de David, aproveitando nova subida aguda de Puma Rodriguez pela direita, o Vasco não recuperou o ímpeto que apresentou nos minutos que antecederam o gol do Vitória e acabou amragando mais uma derrota na competição.
O Vitória se fechou e segurou o resultado que o levou momentâneamente para a nona posição. Apenas Flamengo e Palmeiras têm campanhas melhores como mandantes até aqui no Brasileirão.