
Um jogo típico de Série B, de pouca inspiração técnica e muitas falhas. O Fortaleza repete má atuação fora de casa, perde por 1 a 0, para Atlético-GO, pela 17ª rodada, e quebra sequência positiva. Como um filme que se repetiu em outras ocasiões na temporada, o Tricolor teve um jogador a mais durante 50 minutos, mas sem a competência necessária para furar o bloqueio adversário.
A expulsão de Gustavo Coutinho trouxe uma oportunidade do Fortaleza embalar na Série B, mas o que se viu foi um time tropeçando em suas próprias limitações e no bloqueio adversário. No jogo de pouca qualidade técnica, a bola parada mortal do Atlético definiu. A falta de opções no meio-campo e ataque aponta para um problema que precisa ser corrigido com contratações. Para empolgar na Segundona, nivelada por baixo, o Tricolor terá que fazer mais.
O duelo
Apatia foi a marca dos primeiros minutos no Antônio Accioly. Atlético-GO e Fortaleza faziam um confronto de muito embate no meio-campo, pouca qualidade técnica e de pouca inspiração no ataque. Os goleiros não foram exigidos e viraram meros espectadores no estádio.
O lance capital da partida veio aos 31 minutos, quando Gustavo Coutinho foi expulso corretamente depois de choque com Lucas Gazal. A situação, que poderia ser comemorada por qualquer equipe, no Fortaleza a história é diferente. A expectativa de dominar a partida, envolver o adversário, tendo a vantagem numérica não acontece, que teve mais uma noite nebulosa.
A expectativa esbarrou, mais uma vez, numa realidade cruel que assola o Fortaleza desde o começo da temporada. Mesmo com um jogador a menos, foi o time da casa quem abriu o placar na bola parada de Klebert, que pegou a defesa inerte Fortaleza ao final do primeiro tempo.
Atlético-GO x Fortaleza - Klebert — Foto: Raphael Teixeira / ACG
Repetição de erros
O Fortaleza tinha todo segundo tempo para diminuir o prejuízo no Antônio Accioly, mas tropeçou em seus próprios erros. Em busca de uma reação ainda no intervalo, Thiago Carpini promoveu as entradas de Maílton, Welliton e Pedro Henrique, que fez sua estreia.
Um que saiu ainda no intervalo foi Vitinho. O atacante que decide muitos jogos, em outros, fica apagado, como aconteceu contra o Atlético-GO. Ele não é o único culpado. Falta ao Fortaleza, em muitos momentos, um jogador mais cerebral no meio-campo, que ajude seus companheiros na criação de jogadas.
A estratégia com as mudanças no segundo tempo era clara: tentar dar mais velocidade ao time pelos lados do campo e aproveitar os chutes de longa distância de Maílton. O esperado não saiu do papel, novamente. O Fortaleza foi totalmente neutralizado pelo adversário, que se defendia com nove jogadores de linha.
Além da defesa sólida do Dragão, o time tricolor esbarrava em sua própria falta de qualidade, na ausência da jogada individual para furar o bloqueio. O que restou foram as bolas alçadas na área, de um Fortaleza que tinha Miritello sozinho para brigar por espaço com três zagueiros de boa estatura. Tudo em vão.
Lucas Gazal no duelo entre Alético-GO x Fortaleza, no Antônio Accioly — Foto: Gutemberg Pedro / Fortaleza EC
Reforços
Não tem ponto positivo a ser colocado na balança da partida em Goiânia. O único adendo fica na conta de Pedro Henrique. Em sua estreia com a camisa tricolor, o atacante foi quem mais tentou, chamou a responsabilidade pela esquerda e mostrou ser uma boa alternativa para o ataque nos próximos jogos. Ele até foi derrubado dentro da área, o que poderia ter sido pênalti para o Fortaleza, mas o árbitro mandou seguir erroneamente.
A resposta de Pedro Henrique em campo mostra que o Fortaleza precisa de mais alternativas em seu time. Em partidas de pouca inspiração e equipes que conhecem bem seus adversários, o "novo", com um tanto de qualidade, pode fazer a diferença. O Tricolor precisa de mais um centroavante, já que tem apenas Miritello desde o começo do ano, e meia-atacante, principalmente, para suprir a saída de Pochettino.
Em mais uma exibição ruim, o Fortaleza volta para casa com a mala zerada. O time não consegue o embalo necessário para se consolidar entre os primeiros colocados da Série B, que é nivelada pela baixa qualidade técnica.
Atlético-GO x Fortaleza - Série B 2026 — Foto: Raphael Teixeira / ACG