Entenda por que a Fifa puniu lateral da Inglaterra, mas anulou suspensão de atacante dos EUA

Entenda por que a Fifa puniu lateral da Inglaterra, mas anulou suspensão de atacante dos EUA

Duas expulsões na fase de mata-mata viraram centro de atenções na reta final da Copa do Mundo. Afinal, por que a Fifa suspendeu a punição do atacante Balogun, dos Estados Unidos, e não tomou a mesma atitude para o zagueiro da Inglaterra, Quansah? O ge explica os casos e contextualiza.

As expulsões

As expulsões em campo ocorreram em situações semelhantes. Ambos jogadores foram expulsos por caso de jogo brusco grave levando um cartão vermelho direto, após revisão no VAR.

Balogun foi expulso em Estados Unidos x Bósnia Herzegovina pela segunda fase da Copa. Foi um cartão vermelho apresentado pelo árbitro brasileiro Raphael Claus, em um lance revisado por recomendação do VAR, devido a um pisão do atacante no calcanhar do zagueiro Muharemovic .

Quansah, por sua vez, foi expulso nas oitavas de final contra o México. Ele chegou de sola em Gallardo. O árbitro tomou a decisão depois de rever o lance no VAR.

As punições

Balogun e Quansah foram julgados pelo Comitê Disciplinar da FIFA. Ambos com base no artigo 14, que trata, de modo geral, da "conduta inadequada de jogadores". O norte-americano ainda foi enquadrado no artigo 66 (expulsão e suspensão de partidas).

Mas o tratamento dos casos foi diferente pelo Comitê. Balogun foi punido com uma partida de suspensão, que deveria ser cumprida contra a Bélgica. Ainda foi multado em 40 mil dólares (R$ 205 mil), com a Federação dos Estados Unidos de Futebol sendo solidária no pagamento.

Quansah, por sua vez, foi punido com dois jogos. Assim, não poderá enfrentar a Noruega nas quartas de final, nem jogar uma eventual semifinal. Só estaria disponível para a final ou disputa de terceiro lugar.

Por que decisões diferentes?

A explicação da Fifa é que, no caso de Balogun, o Comitê Disciplinar da FIFA aplicou o Artigo 27 do Código Disciplinar , que lhe confere "a prerrogativa de suspender a execução de quaisquer medidas disciplinares", e determinou que a punição de uma partida fosse suspensa por um período probatório de um ano. Cristiano Ronaldo passou por situação semelhante, mas chegou a cumprir uma partida.

Com isso, Balogun ficou disponível para o jogo contra a Bélgica. A determinação não retirou o cartão vermelho, mas, sim, suspendeu a sanção por "período probatório — de um ano — e só será ativada caso ele cometa outra infração de natureza e gravidade semelhantes durante esse período".

Raphael Claus expulsa Balogun em Estados Unidos x Bósnia — Foto: Phil Noble/Reuters

No caso de Quansah, a prerrogativa do Comitê Disciplinar não foi utilizada.

Influência de Trump e repercussões

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrou no caso. Ele foi às redes sociais agradecer a FIFA por anular a suspensão de Folarin Balogun, atacante dos EUA. O jornal "The New York Times" afirmou que o político atuou diretamente para suspender a decisão inicial, ligando para o presidente da Fifa, Gianni Infantino.

Jarell Quansah foi expulso em México x Inglaterra — Foto: REUTERS

Trump teria mencionado alegações de manipulação de resultados envolvendo o árbitro – nunca comprovadas e sem qualquer evidência encontrada – ao defender a anulação do cartão vermelho recebido pelo artilheiro da seleção americana na partida contra a Bósnia e Herzegovina.

Insatisfeita com a decisão, a Bélgica — adversária dos Estados Unidos nas oitavas de final — teve recurso negado pelo Comitê Disciplinar. A Federação Belga cobrou "transparência e igualdade de tratamento" da Fifa.

Em nota oficial, a Uefa ampliou o coro contra a Fifa e fez duras críticas à Fifa , afirmando que a entidade máxima do futebol "cruzou uma linha vermelha" ao suspender a punição de Balogun.

Em resposta, o presidente do Comitê Disciplinar da Fifa, Mohammad Al Kamali, defendeu a decisão, citando que o caso não é o primeiro no futebol. Na nota explicativa sobre o caso de Balogun, a Fifa ainda afirmou:

— "O Comitê Disciplinar da FIFA (assim como qualquer outro órgão judicial da FIFA) é independente, conforme previsto nos Estatutos da FIFA e no Código Disciplinar da FIFA. Os presidentes, vice-presidentes e demais membros dos órgãos judiciais da FIFA atendem aos critérios de independência definidos no Regulamento de Governança da FIFA para garantir sua imparcialidade".

Divisão entre treinadores

Técnico dos Estados Unidos, o argentino Mauricio Pochettino, defendeu a revogação da suspensão, com o argumento de que a expulsão tinha sido injusta e que a equipe já havia sido punida o suficiente contra a Bósnia.

Ståle Solbakken, da Noruega, chamou a decisão de "erro tremendo" e Thomas Tuchel, da Inglaterra, questionou "onde isso vai parar".

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