Clube de cinco anos do AM desafia gigantes e ostenta a segunda maior invencibilidade do Brasil

Clube de cinco anos do AM desafia gigantes e ostenta a segunda maior invencibilidade do Brasil

O futebol brasileiro está repleto de clubes recém-criados, mas poucos conseguem ganhar protagonismo em tão pouco tempo. O Manauara é uma exceção. Fundado em 30 de novembro de 2020, o Robô ainda nem completou seis anos de existência e já se consolidou como uma das equipes mais organizadas do Norte do país.

Manauara - Série D 2026 — Foto: Laiza Balieiro/ Manauara EC

Dentro de campo, vive mais um momento de destaque nacional: o clube ostenta a segunda maior sequência invicta do futebol brasileiro.

A última derrota da equipe aconteceu em 11 de março, quando foi superada por 1 a 0 pelo Fortaleza, em Manaus, pela terceira fase da Copa do Brasil.

Desde então, o Manauara entrou em campo 13 vezes pela Série D do Campeonato Brasileiro, somando oito vitórias e cinco empates.

No país, apenas o Iguatu-CE apresenta uma sequência maior. O clube cearense não perde desde 7 de fevereiro e acumula 14 partidas de invencibilidade, com oito vitórias e seis empates.

Manauara x Fortaleza Copa do Brasil — Foto: Laiza Balieiro/Manauara

A regularidade, porém, não é novidade para o clube amazonense. Em 2024, logo na primeira participação em uma competição nacional, o Manauara chamou a atenção ao registrar a maior sequência invicta do futebol brasileiro.

Foram 18 partidas, com 12 vitórias, cinco empates e apenas uma derrota. A campanha terminou nas oitavas de final da Série D, quando a equipe foi eliminada nos pênaltis pelo Retrô, que posteriormente conquistou o acesso à Série C e o título da competição.

O crescimento do Manauara acompanha a evolução de sua estrutura. O clube é comandado por Paulo Victor Souza, de apenas 23 anos, um dos presidentes mais jovens do futebol brasileiro.

Paulo Victor se tornou presidente do Manauara — Foto: Reprodução

Sob sua gestão, o Robô investiu em um centro de treinamento considerado referência nas regiões Norte e Nordeste.

O complexo reúne três campos, sendo dois oficiais, campo reduzido, piscina olímpica, quadra de areia, auditório com capacidade para cerca de 300 pessoas, sede administrativa, vestiários e alojamentos para atletas.

O próximo passo é transformar o sonho do estádio próprio em realidade.

Para Paulo Victor, a boa fase é consequência de um trabalho que vai além das quatro linhas.

— O clube é novo e o presidente também, mas encaro essa responsabilidade com leveza. Essa sequência invicta dá confiança, mas ela é resultado de um trabalho diário. Nosso compromisso é não deixar faltar nada para quem está aqui dentro. Salário em dia é obrigação.

— Procuramos oferecer a melhor estrutura, boa logística e conforto para que os jogadores pensem apenas em jogar. Hoje somos reconhecidos nacionalmente pela organização e buscamos melhorar a cada temporada, afirmou.

Paulo Victor, presidente do Manauara — Foto: Reprodução

Outro personagem apontado como decisivo na evolução da equipe é o técnico Paulinho Kobayashi. Campeão invicto da Série D pelo Ferroviário em 2023, ele chegou ao Manauara em fevereiro e rapidamente mudou o desempenho do time.

Ao lado de Flávio Araújo e Felipe Surian, integra o seleto grupo de treinadores que conquistaram a Série D sem perder uma partida desde a criação da competição.

Paulinho Kobayashi - Manauara — Foto: Laiza Balieiro/ Manauara

O presidente não economiza elogios ao treinador.

— O professor Kobayashi mudou completamente a cara do nosso time. É um profissional extremamente inteligente e estamos muito confiantes no trabalho dele. Existe uma sintonia muito grande entre diretoria, comissão técnica e jogadores. O segredo é olhar todos os detalhes, corrigir os erros e manter a evolução. Nosso grande objetivo continua sendo conquistar o acesso à Série C, ressaltou.

O bom momento ganhou mais um capítulo no último sábado. Mesmo atuando em Goiás, o Manauara venceu o Goiatuba por 1 a 0 no jogo de ida da terceira fase da Série D e abriu vantagem na disputa por uma vaga nas oitavas de final.

Agora, o Robô decide a classificação diante da torcida, neste domingo, às 16h (de Brasília), no estádio Ismael Benigno, a Colina, em Manaus.

Um empate basta para colocar o clube entre os 16 melhores da competição.

Apesar da vantagem, Paulo Victor mantém o discurso de cautela e faz questão de destacar o comprometimento do elenco.

— Sabíamos que seria um jogo muito difícil fora de casa. O time teve maturidade para defender quando precisou e aproveitou a oportunidade para marcar. Estamos muito satisfeitos com o elenco que formamos.

— Claro que queremos o acesso, mas também valorizamos muito o profissionalismo dos jogadores. Temos um grupo sério, comprometido e que trabalha todos os dias pensando no crescimento do clube, concluiu.

Paulo Victor, presidente do Manauara. — Foto: Larry Wilcox/ Rede Amazônica

Se confirmar a classificação, o Manauara enfrentará nas oitavas de final o vencedor do confronto entre Ferroviário e Imperatriz.

Caso avance novamente, o Robô terá a vantagem de decidir em casa também o duelo das quartas de final, fase que vale o tão sonhado acesso inédito à Série C do Campeonato Brasileiro.

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