
A intertemporada do Coritiba tem servido não apenas para ajustes físicos e táticos do elenco principal sob o comando de Fernando Seabra, mas também para reforçar uma estratégia que o clube trata como parte do seu projeto esportivo: a aproximação entre os jogadores das categorias de base e o grupo profissional.
Em meio ao período de treinamentos, jogos-treino e observações, o Coritiba abriu espaço para atletas do sub-20 e do sub-17 viverem de perto a rotina do time principal, em um movimento visto internamente como importante para acelerar o amadurecimento dos garotos.
A convivência com o profissional tem funcionado como uma etapa de aprendizado dentro e fora de campo. O ambiente é de maior intensidade, mais cobrança e menos tempo para errar — um cenário que antecipa para os jovens a realidade que encontrarão caso sejam efetivados no elenco principal.
— Dá para ver que é tudo uma unidade, né? O grupo do sub-20 com o sub-17, o profissional. Isso é muito bom para o crescimento deles. Eles vão evoluindo cada vez mais, vão entendendo que o ritmo do profissional é um pouco mais intenso, que precisa de mais concentração. Às vezes não é só o talento, mas sim a vontade de estar aqui, de treinar, de querer escutar também — disse o zagueiro Jacy.
Jacy, zagueiro do Coritiba — Foto: JP Pacheco / Coritiba
Rotina mais intensa e cobrança
A principal diferença sentida por quem sobe da base aparece logo no ritmo dos trabalhos. O jogo é mais rápido, a exigência física é maior e a tomada de decisão precisa acontecer em menos tempo. Ao mesmo tempo, os jovens passam a conviver com uma cobrança semelhante à de qualquer outro atleta do elenco principal.
A mensagem passada no dia a dia é clara: ao chegar ao profissional, a idade deixa de ser argumento. O que conta é a capacidade de responder ao nível de exigência da categoria.
— Eu cobro muito eles. Cobro toda a gente, normal, até a mim eu cobro muito, mas eles especialmente, porque quando chegam ao profissional, o que eu lhes digo é que ninguém olha para a idade. Toda a gente aqui é profissional, toda a gente tem que ser madura — disse o meia Josué.
— Eles têm que saber que é muito difícil vir aqui, tem que ser cobrados, como nós todos temos que ser cobrados. Eles têm que querer muito muito chegar ao patamar mais alto que puderem na carreira — concluiu o camisa 10.
A lógica adotada na intertemporada alviverde passa justamente por esse ponto. Mais do que observar talento, a comissão e o elenco principal querem entender como esses jogadores reagem ao ambiente de cobrança, ao ritmo dos treinamentos e à necessidade de competir diariamente por espaço.
Khensane ao lado de Josué no treino do Coritiba — Foto: JP Pacheco/Coritiba
Transição de forma mais natural
A integração promovida pelo Coritiba nesta intertemporada reforça uma característica histórica do clube: o investimento na formação e na abertura de espaço para jovens.
Mais do que um gesto pontual durante a pausa do calendário, a presença dos atletas da base junto ao elenco principal aponta para uma tentativa de tornar essa transição mais natural, mais preparada e menos abrupta.
No entendimento interno, a experiência ajuda o garoto a compreender o tamanho da exigência antes mesmo de ganhar uma sequência no time principal. E a resposta dada pelos jovens tem agradado.
—Quando tu chegas a um clube profissional da base, a recompensa de estar no profissional tu tens que fazer por merecer. Eles têm que mostrar e têm mostrado. Estamos muito contentes com isso”, resume um dos profissionais envolvidos no processo — finalizou Josué.
Antes da retomada dos jogos na Série A, dia 22 (quarta-feira) contra o Palmeiras, o Coritiba ainda tem mais um jogo-treino agendado. Na sexta-feira, às 11h (de Brasília), o time paranaense recebe a Chapecoense, no CT da Graciosa.