"Wonderwall" x remada viking: Inglaterra e Noruega transformam arquibancadas em espetáculo

Quando Inglaterra e Noruega entrarem em campo pelas quartas de final da Copa do Mundo, no próximo sábado, o duelo não será apenas entre Harry Kane e Erling Haaland, nem só entre duas seleções europeias em busca de uma vaga na semifinal. Antes mesmo de a bola rolar, o confronto já terá um encontro especial: entre duas das torcidas que mais marcaram o torneio até aqui.

De um lado, os ingleses transformaram "Wonderwall", clássico do Oasis, em uma espécie de trilha sonora da campanha. Do outro, os noruegueses viralizaram com a remada viking, ritual em que torcedores e jogadores simulam o movimento de remadores em perfeita sincronia.

"Wonderwall" foi por acaso

A conexão da Inglaterra com sua torcida ganhou força ainda na fase de grupos. Após a vitória sobre a Croácia, jogadores e torcedores cantaram juntos "Wonderwall" em uma cena que viralizou nas redes sociais. Harry Kane, Jude Bellingham e outros atletas permaneceram em campo olhando para a arquibancada enquanto milhares de ingleses cantavam em coro versos como "I don't believe that anybody feels the way I do about you now" ("Eu não acredito que alguém se sinta do jeito que eu me sinto por você agora"), transformando a música em uma verdadeira declaração de amor à seleção.

O curioso é que, segundo Sam Lee, correspondente do The Athletic que acompanha o futebol inglês, nada disso fazia parte da cultura da seleção. A música começou a tocar nos alto-falantes do estádio logo após a vitória sobre a Croácia e a torcida simplesmente acompanhou. O momento ganhou vida própria.

Torcedores da Inglaterra cantam nas arquibancadas — Foto: REUTERS/Paul Childs

- Não era uma tradição da torcida inglesa cantar músicas do Oasis nos jogos da seleção. Mas acho que isso pode se tornar uma tradição. Se a música continuar sendo tocada após as vitórias da Inglaterra, os torcedores provavelmente continuarão cantando - afirmou ao ge.

Jogadores cantam "Wonderwall" com a torcida — Foto: Reprodução X

"Wonderwall", maior sucesso da banda Oasis, foi lançada em 1995 no álbum (What's the Story) Morning Glory?, mas não fazia parte da cultura da seleção inglesa até a Copa de 2026

Para o jornalista, o contexto da Copa potencializou ainda mais a emoção. Longe de casa, milhares de ingleses encontraram na canção uma ligação afetiva com o próprio país.

- A reunião da banda trouxe muita nostalgia. Quando você está acompanhando a Inglaterra em uma Copa do Mundo, longe de casa, e ouve uma música como "Wonderwall", ela acaba lembrando as pessoas da Inglaterra, dos anos 1990 e de momentos felizes. Acho que foi por isso que ela foi cantada com tanta força - declarou.

Jogadores cantam "Wonderwall" com a torcida — Foto: Reprodução X

Remada surgiu para a Copa

A Noruega, por sua vez, encontrou sua própria marca, mas em vez de uma música apostou em um ritual. Depois das vitórias, jogadores e torcedores se sentam ou se inclinam em sequência, batem palmas e simulam o movimento de remadores, recriando uma embarcação viking em perfeita sincronia. A cena explodiu nas redes sociais. Após a vitória sobre o Brasil, nas oitavas de final, virou uma das imagens mais marcantes desta Copa.

Torcida da Noruega faz remada viking antes de Brasil x Noruega no MetLife Stadium — Foto: Reuters

Apesar da aparência de tradição centenária, a celebração é nova. Segundo o jornalista noruguês Thore Haugstad, colaborador da The Players' Tribune, a remada surgiu apenas nos amistosos de preparação para a Copa, disputados em março.

- É uma invenção muito recente. A primeira vez que vimos isso foi durante os amistosos antes da Copa, em março, quando um grupo da torcida organizada começou a fazer a remada. Desde então, ela cresceu muito mais do que qualquer pessoa poderia imaginar - contou ao ge.

Haugstad explica que a inspiração veio naturalmente da cultura viking, frequentemente utilizada pelos torcedores noruegueses, mas sem qualquer ligação com séries de televisão.

Remada viking em comemoração à vitória sobre o Brasil na Copa do Mundo — Foto: Reuters

- Até onde eu sei, não há nenhuma relação com a série "Vikings". Os torcedores da Noruega sempre usaram elementos da cultura viking, principalmente os capacetes com chifres, e alguns anos atrás a seleção também adotou números inspirados nos vikings nas camisas. Acho que esse universo acabou sendo uma base natural para criar uma nova música ou comemoração.

Mais do que uma festa, o jornalista acredita que a remada virou uma forma de fortalecer a identidade da seleção e aproximar ainda mais jogadores e torcedores.

- Acho que ela serve principalmente para criar uma cultura e um sentimento de união em torno da equipe. Houve até um debate na Noruega sobre usar tanto a imagem dos vikings, por causa da história deles, e algumas pessoas acham tudo isso um pouco bobo. Mas quando você vê desconhecidos sentando nas ruas de Oslo para remar juntos e até o príncipe herdeiro participando, fica claro que a missão foi cumprida.

Torcida da Noruega faz a remada viking na Times Square, em Nova York — Foto: REUTERS/John Sibley

O sucesso da comemoração, segundo Haugstad, ajuda a explicar por que ela rapidamente conquistou o país.

- Ela é muito contagiante, inclusiva, divertida de fazer e impressionante visualmente quando um setor inteiro do estádio se movimenta junto.

Uma torcida vai se despedir

Inglaterra x Noruega também pode ser lido como um encontro entre duas das torcidas que mais se destacaram nesta Copa. Em um mundial marcado por grandes craques e recordes, ingleses e noruegueses conseguiram criar momentos próprios, que ganharam vida nas redes sociais. Inglaterra e Noruega se enfrentam no próximo sábado, às 18h (de Brasília), em Miami (EUA).

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