
O chefe de arbitragem da Fifa, o italiano Pierluigi Collina, se manifestou na noite desta segunda-feira e saiu em defesa do árbitro brasileiro Raphael Claus, que foi colocado sob suspeita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por ter expulsado o atacante Balogun, da seleção americana, contra a Bósnia.
Num comunicado, Collina afirmou ter “total confiança” em Claus, a quem chamou de “árbitro experiente e altamente qualificado”. O brasileiro ainda está entre os juízes elegíveis a serem escalados para as partidas da competição, segundo apurou o ge.
Raphael Claus em ação durante jogo entre Espanha e Arábia Saudita — Foto: Reuters
O comunicado desta segunda-feira é assinado pela Fifa e pela comissão de arbitragem da entidade. Ele diz o seguinte:
"A FIFA reconhece Raphael Claus como um dos principais árbitros profissionais do mundo e um membro valioso do 'Team One' na Copa do Mundo da FIFA. Ao longo de sua carreira, ele demonstrou consistentemente os mais altos padrões de profissionalismo e integridade.
Pierluigi Collina, Diretor de Arbitragem da FIFA e presidente do Comitê de Árbitros, declarou: 'Raphael Claus está apitando em sua segunda Copa do Mundo da FIFA, tendo estado conosco no Catar em 2022. Ele é um árbitro experiente e muito respeitado, e mantemos plena confiança nele como árbitro de confiança".
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, também pediu respeito aos árbitros, sem citar Raphael Claus, em uma postagem em rede social.
"A Copa do Mundo da FIFA de 2026 tem sido um sucesso retumbante, e um dos grandes responsáveis por isso é o nosso fantástico grupo de árbitros - o Team One. O torneio está sendo arbitrado pelos melhores do mundo, selecionados por meio de um processo rigoroso que considerou suas habilidades, consistência e qualidade ao longo de um período sustentado. Mais uma vez, reitero que devemos respeitar os árbitros e respeitar as regras que regem o nosso jogo. É muito simples e nunca é demais repetir: sem árbitros, não há futebol".
Nesta segunda, Donald Trump confirmou ter pedido a Infantino que fosse revista a suspensão de Balogun, expulso por Claus no jogo entre os Estados Unidos e a Bósnia e Herzegovina. A comissão disciplinar da Fifa decidiu, no domingo, que a punição seria suspensa por um ano, período em que o atacante não poderia cometer outra irregularidade com a mesma gravidade - ele pisou no tornozelo de um atleta rival ao disputar uma bola no segundo tempo da partida.
Na mesma entrevista, Trump disse que Claus era "suspeito" e que poderia mostrar o histórico dele a repórteres. Segundo o jornal "The New York Times", o governo americano preparou uma espécie de dossiê sobre a carreira do árbitro, documento que teria sido usado pela federação americana no processo disciplinar que levou à liberação de Balogun, que está apto a enfrentar a Bélgica pelas oitavas de final.
A decisão gerou críticas de diversas associações, como a Uefa, que afirmou que a Fifa "cruzou uma linha vermelha". Os belgas tentaram apelar, mas tiverem seu pleito negado.
A Conmebol, a CBF e a Federação Paulista de Futebol também publicaram comunicados em defesa de Raphael Claus.