
Gabriel Martinelli pode ser considerado um jogador fora dos padrões do futebol atual. Enquanto muitos jovens buscam grandes clubes nas capitais, o atacante decidiu deixar a base do Corinthians aos 13 anos para apostar em um duplo projeto pessoal da família no interior de São Paulo.
O atacante queria dar uma vida tranquila para os pais recém-aposentados com a mudança para Itu, no interior paulista, ao mesmo tempo que buscava o protagonismo em um clube de menor expressão. Pouco mais de uma década depois, o plano pode ser considerado perfeito.
Gabriel Martinelli comemora o gol da vitória do Brasil contra o Japão — Foto: REUTERS/Pedro Nunes
Martinelli nasceu em Guarulhos e integrou as categorias de base do Corinthians até os 13 anos, marcando 73 gols em 139 jogos. O jogador não tinha o status de promessa como tinham outros jogadores da categoria, mas era muito bem avaliado internamente. Com a mudança da família para o interior, em 2015, o jogador optou por deixar o clube da capital para atuar no Ituano.
– Cheguei com seis anos ao futsal do Corinthians. Dos 10 até os 13 anos fiquei no futebol. Meus pais se aposentaram e resolveram mudar para Itu, e acompanhei eles. Fiz um teste no Ituano, o Juninho [Paulista, pentacampeão mundial com a Seleção e gestor do clube do interior] gostou. A gente priorizou a nossa vida, que é mais tranquila aqui. Meu empresário disse que era possível seguir a carreira no interior, priorizando clubes de fora. E tem dado certo – explicou o atacante, em entrevista concedida ao ge em 2019.
A escolha não poderia ter sido a melhor possível. Nos quase cinco anos em que ficou no Ituano, Martinelli conseguiu ter o protagonismo que esperava para chamar a atenção de inúmeros clubes, viver com qualidade de vida ao lado dos pais e conseguir ter tranquilidade para vencer um período instável entre os 14 e 15 anos, quando o próprio pai chegou a ter dúvida se o filho conseguiria se tornar jogador profissional.
– É difícil você sair de um clube como o Corinthians, mas acreditei nos meus pais e deu certo. Acho que seria diferente, mas não dá para saber se estaria exercendo um futebol sem pressão como faço aqui em clubes grandes – disse Martinelli, que há sete anos chegou a profetizar como seriam os próximos passos na carreira.
– Eu e meu pai conversamos muito sobre futebol e sonhos. O sonho dele e meu é jogar uma Champions League, uma Copa do Mundo e subir cada vez mais. Sonho em vestir a camisa da seleção brasileira. É meu sonho e vou atrás disso. Podem esperar que vou dar muitos frutos para a seleção brasileira – disse Martinelli, que esteve entre os convocados do Brasil na Copa de 2022, no Catar.
Gabriel Martinelli ao lado do pai, João Martnelli, na época em que defendia o Ituano — Foto: Emilio Botta
Jovem teve 25 propostas para sair do Ituano
Ainda apontado como uma grande promessa do Ituano e do futebol brasileiro, Gabriel Martinelli teve inúmeras opções para definir o seu destino. Os números dele no clube do interior paulista ajudaram a chamar a atenção de diversos rivais. Foram 94 jogos e 65 gols marcados na base. No profissional, foram 31 partidas, dez gols e seis assistências.
À época, quando ainda defendia o Ituano, o empresário de Martinelli revelou ao ge que havia recebido sondagens de oito clubes brasileiros e 17 da Europa. No Brasil, os interessados seriam, segundo o agente, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Santos, Cruzeiro, Atlético-MG, Flamengo e Fluminense.
Os clubes da Europa o empresário preferiu não mencionar, já que, na época, admitiu que a tendência era uma ida direta para fora do país, o que veio a acontecer quando Martinelli completou 18 anos e aceitou defender o Arsenal em transação que deu ao Ituano cerca de R$ 30 milhões.
– Para ser sincero, nós esperávamos que isso acontecesse – disse Marcos Casseb ao ge, em 2019.
Martinelli encontrou Pogba durante estágio no Manchester United — Foto: Reprodução/Facebook
Dos 17 clubes europeus, cinco eram ingleses, seis espanhóis, quatro italianos e dois franceses. Antes de acertar com o Arsenal, Martinelli passou por períodos de testes no Manchester United e no Barcelona.
– Foi uma das melhores experiências que eu tive no futebol, pois, além de ser um dos maiores clubes do mundo, o nível de exigência nos treinamentos é muito alto e me fez crescer bastante no futebol, tanto na qualidade como na parte tática, nos pensamentos. Na verdade, a sensação é sempre muito boa em saber que existem pessoas ou clubes que gostam do meu futebol, por isso eu sempre entro em campo e tento fazer o meu melhor – disse o atacante, em entrevista ao ge também em 2019.
Gabriel Martinelli comemora o gol marcado pelo Arsenal contra o Bayern de Munique — Foto: Getty Images
Martinelli, de 25 anos, tem contrato com o Arsenal até o término da próxima temporada europeia. Ou seja, até julho de 2027. O atacante já recebeu sondagens para deixar a Inglaterra, mas ainda não definiu qual será o próximo passo da carreira.
Ainda quando deixou a base do Corinthians, em 2015, Martinelli prometeu ao pai que voltaria ao clube em algum momento da carreira. O atacante não esconde a torcida pelo Corinthians e tem em seus planos vestir profissionalmente a camisa alvinegra.
Martinelli quando defendia o futsal do Corinthians — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Antes disso, Martinelli deve realizar outro sonho: o de ser titular em um jogo de Copa do Mundo. O técnico Carlo Ancelotti voltou a utilizar o atacante como titular no treino da Seleção neste sábado e indicou que ele será o substituto de Lucas Paquetá no jogo entre Brasil e Noruega, neste domingo, pelas oitavas de final da Copa. A partida acontece em Nova Jersey a partir das 17h (de Brasília).