
O empate com a Arábia Saudita, na terceira rodada da fase de grupos, fez com que a seleção de Cabo Verde se tornasse a menor nação a chegar a um mata-mata de Copa do Mundo. A equipe, que enfrenta a Argentina nesta sexta-feira, em Miami, avançou na segunda posição e deixou o Uruguai fora da segunda fase.
Até 2021, porém, o arquipélago na costa oeste da África não tinha um estádio em condições de sediar partidas internacionais da equipe. Um empurrão de US$ 17,8 milhões (cerca de R$ 92 milhões) na última década ajudou o time do goleiro Vozinha a se tornar uma das surpresas desta Copa.
Os recursos são provenientes do programa Fifa Forward, em que a entidade distribui recursos a suas 211 associações-membros. O dinheiro é usado para cobrir despesas operacionais e projetos de desenvolvimento e infra-estrutura.
Segundo a Fifa, até agora, dos US$ 17,8 milhões repassados, US$ 15,8 (cerca de R$ 81,6 milhões) já foram utilizados.
– Cabo Verde utilizou de forma estratégica os recursos do FIFA Forward para expandir a infraestrutura do futebol, fortalecer as estruturas competitivas e apoiar o desenvolvimento das seleções nacionais em todo o arquipélago – afirma o Diretor Adjunto de Associações-Membro da Fifa e Diretor Regional para a África, Gelson Fernandes.
Cabo Verde festeja vaga à segunda fase da Copa do Mundo — Foto: Reuters/Troy Taormina
– No total, até o momento, estamos falando de 17 projetos diferentes, desde a construção de campos de gramado sintético no município de Santa Cruz, na Ilha de Santiago, que beneficiaram várias equipes da região e criaram mais oportunidades para os jovens jogarem, até a reforma do estádio Adérito Sena, na Ilha de São Vicente, e o apoio contínuo às seleções nacionais, incluindo a Sub-17 – completa Fernandes, ex-jogador nascido em Cabo Verde, mas que defendeu a seleção da Suíça na Copa de 2010.
Para esses 17 projetos foram alocados US$ 7,3 milhões (R$ 37,6 milhões), sendo que US$ 2,5 milhões (R$ 12,9 milhões) foram investidos em infraestrutura.
– A histórica classificação do país para a Copa pode ser vista como o resultado de escolhas estratégicas claras e das prioridades na forma como os foram investidos – diz Tom Gorissen, Diretor de Serviços para Associações-Membro da Fifa.
O terceiro ciclo do Fifa Forward termina no fim deste ano. A entidade já prevê, em seu orçamento para os quatro anos seguintes, o quarto clico do programa. Entre 2027 e 2030 devem ser distribuídos US$ 2,7 bilhões (cerca de R$ 14 bilhões) às associações.