Copa do Mundo com 64 seleções? Saiba por que cenário ainda é improvável para 2030

Copa do Mundo com 64 seleções? Saiba por que cenário ainda é improvável para 2030

Recordes de público, alta média de gols, sete times que avançaram aos mata-matas pela primeira vez, 72 partidas só na fase de grupos... A primeira Copa do Mundo com 48 seleções entregou bons argumentos aos que defendem o inchaço da atual edição. E para os que querem um torneio ainda maior em 2030. Mas é improvável, neste momento, que isso aconteça.

Desde o ano passado, a Conmebol tem defendido a ampliação do Mundial para 64 equipes na próxima edição. A justificativa oficial do desejo da entidade é tornar ainda mais inclusiva a competição que irá celebrar os 100 anos da Copa.

Gianni Infantino oficializa Marrocos, Portugal e Espanha como sedes da Copa do Mundo de 2030 — Foto: Fifa

A intenção, porém, é a de levar mais jogos para a América do Sul. A candidatura de Argentina, Paraguai e Uruguai seria derrotada pela da Espanha, Marrocos e Portugal. Foi feito um acordo, porém, para que os países sul-americanos recebessem um jogo cada – os três primeiros – em homenagem ao torneio disputado no Uruguai em 1930.

Mas a Conmebol quer mais: a proposta sul-americana ampliaria de três para 18 as partidas no continente, com um grupo em cada um dos países.

O formato evitaria um dos problemas desta Copa na América do Norte, com a necessidade de classificação dos oito melhores terceiros colocados para a segunda fase – o plano é ter 16 grupos de quatro, os dois primeiros de cada um avançariam para o primeiro duelo eliminatório. A fase de grupos seria ampliada de 72 para 96 partidas.

Num balanço divulgado nesta semana, a Fifa afirmou que 4,6 milhões de pessoas estiveram nos estádios da Copa durante a primeira fase. Foram marcados 215 gols, média de quase três por partida. Nove equipes africanas passaram para a segunda fase – até então, o recorde havia sido de duas, em 2014 e 2022.

Apesar disso, há forte resistência a uma Copa com 64 seleções. Mesmo dentro da Conmebol.

A Concacaf, que reúne associações da América do Norte e do Caribe, e a AFC, do continente asiático, já indicaram ser contrárias à proposta. A Uefa é a principal opositora, por entender que o formato criaria dificuldades logísticas. A confederação europeia, inclusive, anunciou em maio um novo modelo de classificação para a Copa de 2030, inspirado no formato de liga da Liga dos Campeões.

Alejandro Domínguez, da Conmebol, e Gianni Infantino, em reunião do Conselho da Fifa — Foto: Fifa

A maioria das confederações sul-americanas tem no classificatório, com 18 partidas, uma importante fonte de receita por causa da venda de direitos de transmissão.

Atualmente, a Conmebol, com dez seleções, tem seis vagas diretas na Copa e uma de repescagem. Esse número cresceria em um torneio de 64 seleções, o que faria as eliminatórias, na visão destes cartolas, perderem valor.

Para 2030, Argentina, Paraguai e Uruguai estarão classificadas automaticamente por serem sedes, o que já cria uma dificuldade para tornar as próximas classificatórias mais atraentes.

Uma possibilidade discutida na Conmebol é a criação de uma Liga de Nações, com premiação e disputa de título. O formato atual – 18 jogos de ida e volta, todos contra todos – seria mantido e haveria um incentivo para que as três equipes classificadas antecipadamente disputassem a competição.

Em outubro do ano passado, a proposta de ampliar o Mundial chegou a ser colocada na pauta de uma reunião do Conselho da Fifa, mas acabou não sendo debatida. A Conmebol ainda faz lobby pelo projeto.

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