Conheça Gustavo Alfaro, o técnico do Paraguai "caçador de utopias impossíveis"

Conheça Gustavo Alfaro, o técnico do Paraguai

"Quando você vir a sombra de um gigante, não se assuste. Olhe para onde está o sol, porque pode ser a sombra projetada por um anão"

A anedota é de Gustavo Alfaro em 2004, quando treinava o Quilmes, da Argentina, e brigava pelo acesso à elite do país. Vinte e dois anos depois, o treinador do Paraguai - cheio das frases de efeito e metáforas - faz valer de novo o ensinamento e desbancou um gigante de Copa do Mundo, a Alemanha, nos pênaltis. Mais um capítulo do "caçador de utopias impossíveis".

É assim que o argentino de 63 anos passou a ser conhecido após levar o Equador à Copa do Mundo de 2022, no Catar. A classificação garantiu até um livro escrito pelo próprio técnico, falando da campanha naquelas Eliminatórias.

Gustavo Alfaro, técnico do Paraguai — Foto: REUTERS/Peter Cziborra

- Foram caçadores de utopias impossíveis porque ninguém acreditava no Equador e hoje o Equador está de pé. Hoje o Equador diz 'presente' para o mundo - disse o treinador quando conseguiu se classificar para o Mundial de 2022.

Alfaro é famoso pelas frases de efeito como já deu para perceber, mas também de conquistas consideradas improváveis, como a classificação do Paraguai às oitavas de final. Na prévia diante da Alemanha, ele já havia avisado.

- Já enfrentamos a Argentina e o Brasil e saímos vitoriosos (nas Eliminatórias). Por que não podemos fazer o mesmo agora? - questionou o treinador.

Reviravolta e "no limite"

Quando o treinador assumiu o Paraguai, em 2024, a seleção tinha apenas quatro pontos conquistados em seis jogos das Eliminatórias. O país estava pressionado, pois havia ficado fora das três últimas Copas e vinha de campanhas ruins na qualificação da Conmebol (10º para o torneio de 2014, 7º em 2018 e 8º para 2022).

A última participação em foi na África do Sul, em 2010, quando o Paraguai foi eliminado para a Espanha nas quartas de final. Para piorar a situação de Alfaro, o Paraguai vinha de uma eliminação na primeira fase da Copa América 2024: três derrotas em três jogos, que culminaram na saída do técnico Daniel Garnero.

Em setembro daquele ano, Alfaro estreou com um empate por 0 a 0 com o Uruguai, fora de casa. Na segunda partida, uma imponente vitória por 1 a 0 sobre o Brasil em Assunção. Depois, um empate por 0 a 0 na altitude de Quito, contra o Equador. Venceu a Venezuela por 2 a 1, em Assunção, e alcançou o resultado de mais impacto: 2 a 1 sobre a Argentina, atual campeã do mundo.

A vaga veio no ano seguinte, em setembro, quando a seleção garantiu o sexto lugar, última posição que dava vaga direta à Copa do Mundo.

No Mundial, mais reviravoltas e, outra vez, classificação no limite. Após uma goleada sofrida por 4 a 1 para os Estados Unidos, garantiu uma vitória por 1 a 0 sobre o Turquia, jogando com um a menos no segundo tempo. Na última rodada, empatou por 0 a 0 com a Austrália e conquistou a vaga como um dos oito melhores terceiros colocados.

Gustavo Alfaro, técnico do Paraguai — Foto: Getty Images

Surpresa na Argentina e América do Sul

Gustavo Alfaro comandou clubes pequenos da Argentina no início da carreira: Atlético de Rafaela, Patronato, Quilmes, Olimpo e Belgrano. Chegou a assumir o San Lorenzo, mas teve pouco êxito. Aceitou comandar o Arsenal de Sarandí, da região metropolitana, clube com forte influência da família Grondona, que comandava a Associação de Futebol da Argentina.

Em 2007, alcançou uma façanha digna do apelido "caçador de utopias impossíveis" e da frase de efeito. Na Copa Sul-Americana, o "anão" Arsenal desbancou os tradicionais San Lorenzo, Chivas Guadalajara e River Plate. Na decisão, bateu um dos maiores, senão o maior clube do México, o América.

Gustavo Alfaro como técnico do Boca Juniors — Foto: Divulgação/Boca Juniors

Cinco anos depois, tornou-se ainda mais ídolo do pequeno Arsenal. Conquistou o inédito Campeonato Argentino para o clube, a Supercopa Argentina e, no ano seguinte, a Copa Argentina. É o maior técnico da história do clube de Sarandí.

As frases de efeito

Gustavo Alfaro é famoso pelas frases de efeito e metáforas. Foi assim no futebol argentino, equatoriano e paraguaio. Na Costa Rica, também aconteceu, e diante do Brasil.

Ao conseguir empatar com a Seleção na Copa América, em 2024, o treinador fez uma comparação.

"Éramos como Bruce Willis em O Sexto Sentido. O único que não sabia que estava morto era ele mesmo. Eles achavam que estávamos mortos antes mesmo do filme começar”

Gustavo Alfaro, técnico do Equador, em treino durante Copa do Mundo do Catar — Foto: REUTERS/Siphiwe Sibeko

Esperando França ou Suíça para o jogo do próximo sábado, na Filadélfia, às 18h (de Brasília), Alfaro deixou outro "ensinamento" para finalizar a coletiva de imprensa, após passar pela Alemanha.

"Quando você cresce é quando você tem que ter mais cuidado. É uma vitória épica, sim, mas se não nos sacrificarmos, não vamos conseguir mais nada"

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