
O Brasil espera resolver a classificação para as oitavas de final da Copa do Mundo nos 90 minutos contra o Japão, nesta segunda-feira, mas se prepara para uma eventual decisão nos pênaltis. As duas últimas disputas desse tipo não foram positivas para a Seleção, com derrotas para Croácia, no último Mundial, e Uruguai, na Copa América de 2024.
Nos dois casos, os técnicos do Brasil estiveram no centro dos debates após as eliminações. Tite assumiu que errou ao não colocar Neymar como o primeiro batedor no Catar - o camisa 10 nem chegou a cobrar, pois a Seleção foi derrotada antes da última cobrança. Já Dorival Júnior foi criticado por estar fora da roda de conversa dos atletas antes das penalidades.
A partir disso, surge o questionamento: como Carlo Ancelotti lida com esse tipo de disputa?
Um episódio no ano passado, envolvendo Endrick, ajuda a explicar como pensa e age o treinador italiano.
Endrick e Ancelotti juntos na seleção brasileira — Foto: Rafael Ribeiro/CBF
Mental > técnica
Ancelotti entende que, por mais que o talento dos jogadores seja importante para definir os batedores, neste tipo de situação vale mais o aspecto psicológico.
Foi por isso que, em março de 2025, em duelo contra o Atlético de Madrid, nas oitavas de final da Liga dos Campeões, ele desistiu de colocar Endrick para realizar uma das cobranças.
– Tínhamos dúvidas sobre o quinto (batedor), mas aí vi a cara do Endrick e dissemos: melhor o Rüdiger – explicou o treinador, após a partida.
– Achamos que Rüdiger era mais frio – ponderou (assista abaixo).
Antes dos jogos, Ancelotti gosta que seus jogadores treinem pênaltis e observa quem tem melhor aproveitamento. Na preparação para a Copa do Mundo isso acontece desde a primeira de semana de trabalhos, ainda na Granja Comary, em Teresópolos.
A definição dos batedores, porém, só é feita instantes antes das disputas, por levar em consideração o aspecto mental e também físico.
Carlo Ancelotti conversa com jogadores do Real Madrid antes de disputa de pênaltis em 2023 — Foto: Antonio Villalba/Real Madrid via Getty Images
Em diferentes momentos, o treinador já falou que disputas de pênalti são "loteria, cara ou coroa".
– Se eu estou escolhendo os batedores da disputa de pênaltis, o lado mental é mais importante do que a técnica. Se você não está bem mentalmente, você não está apto para a missão técnica de cobrar o pênalti – explicou Ancelotti, no passado.
– Já tive jogadores que eram excelentes cobradores de pênalti, mas sentiram que não estavam no estado mental adequado para bater – completou.
Alguns dos principais cobradores de pênaltis da Seleção são Neymar, Igor Thiago e Raphinha (que está machucado).
Brasil e Japão se enfrentam no estádio de Houston, no Texas, às 14h (de Brasília), com transmissão da Globo, sportv e getv. Quem passar vai encarar Costa do Marfim ou Noruega na próxima fase.