
A parceria do técnico Didier Deschamps com seu auxiliar no comando da seleção francesa, Guy Stéphan, ganhou holofotes na Copa por que o treinador campeão do mundo precisou deixar os Estados Unidos na semana passada em razão da morte de sua mãe, Ginette. Deschamps voltou a cidade de Boston, sede da equipe nacional durante o Mundial, nesta sábado, após a classificação da equipe para a segunda fase. No mesmo dia, uma carta foi revelada em documentário da beIN Sports.
Guy Stéphan e Didier Deschamps em treino da seleção francesa — Foto: REUTERS/Gonzalo Fuentes
No texto escrito por Deschamps a Stéphan, com quem trabalha desde 2009, em Marselha, o treinador discorre sobre o último torneio deles juntos, justamente a Copa do Mundo de 2026. Juntos na seleção desde 2012, eles foram campeões do mundo na Rússia, em 2018, mas esta será a última Copa. A especulação é que Zinedine Zidane assuma o comando da seleção francesa após o Mundial.
- A nossa ligação atingiu um nível tal que já não precisamos de falar há muito tempo: muitas vezes, basta um olhar para nos entendermos. Também passamos por momentos difíceis. A cada adversidade, suas convicções e valores jamais vacilaram. Oferecer-lhe este cargo (de auxiliar técnico) foi, sem dúvida, uma das melhores decisões que tomei na minha carreira - escreveu Deschamps.
Stéphan vai às lágrimas enquanto lê o que o amigo escreveu.
- É raro eu demonstrar meus sentimentos, mas preciso enxugar as lágrimas agora - disse.
E o treinador principal da França reconhece o trabalho de Stéphan como seu assistente.
- Foi um verdadeiro privilégio, uma honra compartilhar esses momentos com você. Mas esta aventura não acabou: nos Estados Unidos, você fará tudo o que puder para alcançar o objetivo que almejamos. Acredito sinceramente que estávamos destinados a nos dar bem - concluiu o treinador.
A carta foi escrita antes da Copa e divulgada agora, antes de Deschamps deixar a seleção nas mãos do auxiliar técnico para ir ao funeral de Ginette, realizado na sexta-feira, em cerimônia apenas para os familiares.
Deschamps e Stéphan preparam a França para a partida decisiva contra a Suécia, programada para a próxima terça-feira, às 18h (de Brasília), em Nova Jersey. O duelo vale a vaga para as oitavas de final da Copa do Mundo.
A seleção francesa venceu a Noruega por 4 a 1 na última sexta-feira e foi comandada pelo auxiliar. O companheiro de Deschamps prestou uma homenagem ao treinador e comentou sobre o clima na equipe.
- Estamos muito felizes que ele esteja de volta tão cedo. Os jogadores fizeram o que era necessário. Eles ficaram muito abalados. Didier conversou com eles, explicou que estava de luto e que precisava partir. Naturalmente, dada a forte ligação entre eles, os jogadores quiseram fazer algo de bom - comentou.
Jogadores e membros da comissão técnica da seleção da França se abraçam em treino após morte da mãe de Deschamps — Foto: Divulgação/Federação Francesa de Futebol
A mãe do técnico da seleção francesa morreu na última terça-feira. Ele retornou à França para acompanhar o funeral de Ginette Deschamps e não treinou a equipe na partida contra a Noruega, válida pela última rodada do Grupo I.
Ao tomar conhecimento da morte da mãe, Deschamps acertou o retorno à França com o presidente da Federação Francesa de Futebol (FFF), Philippe Diallo, que estava no centro de treinamento da equipe nos Estados Unidos. A causa da morte não foi informada.