Como Borré foi de reforço de impacto no Inter à iminente saída para o River Plate

Como Borré foi de reforço de impacto no Inter à iminente saída para o River Plate

O Inter está perto de acertar a saída de Rafael Borré para o River Plate. Clubes e jogador estão em tratativas após longo período de interesse da equipe argentina, e o acordo está próximo de ser oficializado. Contratado sob status de estrela, a trajetória do atacante no Beira-Rio é, acima de tudo, a de uma expectativa que não se sustentou ao longo do tempo.

Quando oficializou a contratação do colombiano, em janeiro de 2024, o Inter apresentava ao torcedor um dos nomes mais aguardados de seu projeto recente. O jogador assinou contrato até o fim de 2028 após longa negociação com o Eintracht Frankfurt e era tratado como peça-chave para elevar o nível do ataque colorado.

Antigo alvo da direção e com histórico vencedor no River Plate, o atacante desembarcou em Porto Alegre cercado de expectativas e como mais uma estrela para o setor ofensivo, que já contava com Enner Valencia, outro "selecionável".

A repercussão da contratação indicava esse peso. Foi recebido com grande festa pela torcida no Aeroporto Salgado Filho, na capital, como o reforço de impacto que era, um centroavante capaz de decidir jogos e assumir protagonismo. A realidade, no entanto, conduziu a passagem de Borré pelo Inter por outros caminhos.

Borré pelo Inter

Borré Inter x Bahia — Foto: Maxi Franzoi/AGIF

2024: o homem de Roger Machado

Logo em sua primeira temporada, o colombiano conseguiu corresponder, ao menos em parte, à expectativa inicial. Em 2024, somou 29 partidas, com 11 gols e três assistências, com destaque no Campeonato Brasileiro, no qual marcou nove vezes.

Além dos números, tornou-se uma das principais peças na "era Roger Machado" – quando chegou, o Inter ainda era treinado por Coudet. Sob o comando do treinador, Borré fez a maior parte de seus gols na temporada (oito) e foi importante na organização ofensiva da equipe.

No Brasileirão, a chegada de Roger culminou em uma sequência de 16 jogos de invencibilidade, que fez o torcedor colorado acreditar em algo a mais. Mesmo sem título, a reta final de 2024 deixou a sensação de que Borré seria mesmo protagonista no projeto do clube.

2025: da referência técnica à "cara da crise"

Se 2024 representou a construção da esperança, 2025 simbolizou a quebra de expectativa. O Inter viveu uma temporada turbulenta, e Borré encarnou esse momento. O atacante perdeu prestígio e passou a ser visto como um retrato das dificuldades do time em campo.

Os números ajudam a explicar a mudança de percepção: depois de marcar 11 vezes no primeiro ano, Borré anotou apenas oito gols em 45 partidas em 2025. A queda, contudo, não foi apenas estatística.

O colombiano passou por longos períodos sem marcar e acumulou atuações irregulares, inclusive em momentos decisivos. Chances desperdiçadas em confrontos eliminatórios da Copa do Brasil e da Libertadores ampliaram a pressão externa.

Esse contexto fez com que o camisa 19 deixasse de ser unanimidade. Ainda valorizado internamente pelo esforço e papel tático, já não convencia a torcida. A confiança abalada refletiu também em campo, criando um ciclo de instabilidade difícil de ser interrompido.

2026: lampejos de reação e fim de ciclo

Depois de um 2025 marcado por tensão e pela luta contra o rebaixamento até a última rodada, o início de 2026 sugeriu uma possível virada. Borré abriu a temporada em alta e, em poucos jogos, já havia alcançado metade dos gols que marcara no ano anterior.

O bom momento inicial foi reconhecido pela comissão técnica, que voltou a tratá-lo como peça importante no sistema ofensivo. No entanto, a instabilidade voltou a aparecer, e o atacante entrou em novo jejum, acumulando mais de dois meses sem marcar.

Paralelamente à queda de rendimento, perdeu espaço na equipe. Quando o Inter chegou à pausa do calendário para a Copa do Mundo, Borré brigava por espaço com Alerrandro sob o comando de Paulo Pezzolano, mesmo ainda sendo o artilheiro do time na temporada.

A perda de protagonismo coincidiu com fatores externos importantes. O colombiano ficou fora da convocação final da seleção para a Copa do Mundo, reflexo direto de seu momento no clube. Ainda antes, uma polêmica entrevista à própria esposa não foi bem digerida pela torcida.

Além disso, o Inter passou a encarar a possibilidade de negociá-lo não apenas por razões técnicas, mas também financeiras. Pressionado por metas de venda e pela necessidade de equilibrar as contas, o clube incluiu Borré entre os principais ativos negociáveis do elenco.

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