Equador se impõe em uma das maiores tardes de sua história

Equador se impõe em uma das maiores tardes de sua história

A seleção equatoriana contrariou a maioria dos prognósticos e bateu a seleção alemã na tarde desta quinta-feira, em New Jersey. Além de superar a difícil situação em que se encontrava na tabela, mostrou capacidade de recuperação. Saiu atrás no placar no primeiro minuto de jogo e de fato mereceu a virada. Baseando-se na grande capacidade que tem para marcar, foi superior em campo.

Gonzalo Plata fez o gol da virada, já na segunda metade do 2º tempo. O atacante do Flamengo foi um dos destaques de uma seleção que contou ainda com exibições soberbas de Ordóñez, Pedro Vite, Moisés Caicedo, Angulo, Yeboah e Kevin Rodriguez. Este último mudou a cara do ataque. A Alemanha ficou amplamente incomodada com a forma de marcar dos sul-americanos. Produziu pouco.

Escalações

Sebastián Beccacece voltou a escalar Hincapié como lateral-esquerdo e ter dois volantes no meio. Alcivar e Estupiñán saíram do time. Ordóñez e Angulo ganharam oportunidade. O primeiro como zagueiro e o segundo na ponta-esquerda.

Julian Nagelsmann não terá Schlotterbeck até o final da Copa e também teve o desfalque de Brown, que nem no banco ficou. Rudiger entrou normalmente na defesa e David Raum assumiu a lateral-esquerda. O restante do time foi o mesmo que já vinha jogando, incluindo a permanência de Undav no banco de reservas.

Como Equador e Alemanha iniciaram o duelo válido pela 3ª Rodada do Grupo E da Copa do Mundo 2026 — Foto: Rodrigo Coutinho

O jogo

Para quem nunca venceu a Alemanha e precisava dos três pontos para se classificar, levar um gol antes dos dois minutos de jogo é algo traumático. Leroy Sané aproveitou a boa trama entre Pavlovic e Wirtz, após cobrança de lateral de Raum pela esquerda, e bateu no canto de Gallindez para abrir o placar.

O Equador reagiu bem. Transformou o desespero em agressividade para pressionar a bola com organização e causar desconforto aos alemães. Tanto que não demorou a empatar. Ordóñez e Pedro Vite comandaram uma pressão pós-perda no campo de ataque e se beneficiaram de erros de Wirtz e Nmecha. Nilson Angulo recebeu na entrada da área e bateu no canto esquerdo de Neuer.

O ponta de 23 anos, titular pela primeira vez em um jogo de competição pelo Equador, foi uma peça importante para gerar volume pelo lado esquerdo do ataque. Tanto que Leroy Sané recuou bastante e formou uma linha de cinco atrás no momento defensivo alemão. Muito para evitar um confronto direto de Angulo com Kimmich.

Alan Franco fazia uma vigília especial a Wirtz ou Musiala. Quem partisse da esquerda para dentro, movimento comum aos dois, era seguido pelo volante do Galo. Yeboah compensava em uma perseguição a Raum, outro que foi um bom argumento ofensivo por parte dos europeus. A Alemanha, no entanto, ficou alguns minutos sem conseguir se estabelecer no campo de ataque como gostaria.

Pavolic ergue o pé em lance polêmico de Equador x Alemanha — Foto: Patrick Smith / Getty Images

Pedro Vite e Moisés Caicedo foram muito importantes para inibir o controle dos germânicos, que se viram obrigados e recuar e defender a própria área até a parada para hidratação. Fizeram bem isso! Tah venceu todos os duelos e afastou bolas importantes. O Equador mantinha quase sempre Yeboah e Angulo bem abertos, mas Alan Franco e Hincapié avançavam entre zagueiros e laterais adversários.

Plata flutuava bastante pela intermediária, voltava para se aproximar da bola e muitas vezes era um sexto homem atacando a última linha alemã. Apesar disso, o período não rendeu necessariamente lances de perigo ao Equador. Depois da metade do 1º tempo, os tetracampeões do mundo subiram o bloco de marcação e forçaram ligações diretas, voltaram a ter períodos de posse no ataque.

Nmecha tentava tirar Pedro Vite da frente da área e fazer alguém trabalhar entre Vite e Caicedo, mas o Equador reagiu bem. Ordóñez se destacou ao bloquear finalizações e bons passes perto da área. Pacho também esteve seguro. Mesmo assim, Nmecha e Havertz conseguiram finalizações de distâncias curtas sem tanta contundência.

Nagelsmann sacou Pavlovic no intervalo, ele já tinha um cartão amarelo. Stiller o substituiu. Os dois times mantiveram a postura combativa no 2º tempo. Buscaram pressionar bastante, nem sempre em bloco alto, mas não havia conforto para trocar passes em progressão, as posses eram curtas e truncadas.

Nilson Angulo comemora o gol em Equador x Alemanha — Foto: REUTERS/Dylan Martinez

Antes dos 15 minutos, Kimmich e Havertz deixaram o campo. Thiaw entrou na lateral-direita e a sensação Deniz Undav passou a ser o centroavante alemão. A melhor opção de ataque para o Equador era a velocidade dos pontas. Yeboah e Angulo levaram vantagens quando acionados em ataques rápidos. Em um deles, Valencia obrigou Neuer a fazer boa defesa ao bater da entrada da área.

Logo depois o experiente centroavante saiu. Kevin Rodriguez entrou. Preciado também foi a campo na vaga de Alan Franco. Um lateral-direito mais agudo. Depois ocorreu a mesma lógica na lateral-esquerda. Hincapié foi sacado para a entrada de Estupiñán.

Nagelsmann tirou Nmecha, em tarde apagada, para a entrada de Beier. Montou um time bem ofensivo por alguns instantes, mas logo pôs Gross na vaga de Wirtz. O jogo ficou menos rígido taticamente nos minutos finais. As chances começaram a aparecer. Sané teve boa chance para ampliar ao receber de Undav em contragolpe, mas bateu em cima de Galindez.

A entrada de Kevin Rodriguez deu vida e competitividade ao centro do ataque equatoriano. Começou a vencer todos os duelos de Tah, que caiu bastante na 2ª etapa. O camisa 11 já tinha criado na base da vontade uma jogada que quase terminou em gol de Plata. Logo depois, ele venceu um duelo em escanteio cobrado pela direita, desviou de cabeça, e Gonzalo Plata marcou na pequena área.

Plata comemora gol em Equador x Alemanha — Foto: REUTERS

Beccacece colocou Félix Torres e Jordy Caicedo nos lugares de Yeboah e Angulo depois do gol. Montou uma linha de cinco na defesa. A Alemanha pressionou e quase empatou o jogo com Undav, mas a entrega equatoriana falou mais alto. Com quatro pontos conquistados, a seleção será no mínimo a oitava melhor terceira colocada ao final da fase de grupos. Vaga garantida!

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