Discurso de Cristiano Ronaldo sobre união interna ganha eco no elenco de Portugal após semana polêmica

Discurso de Cristiano Ronaldo sobre união interna ganha eco no elenco de Portugal após semana polêmica

Os gols de Cristiano Ronaldo e a vitória tranquila sobre o Uzbequistão trouxeram alívio a Portugal não só pela situação no grupo K da Copa do Mundo, mas também pelo ambiente no elenco. Os dias depois do empate com a RD Congo foram agitados e mergulharam a equipe em incertezas e rumores de que o clima na concentração não é dos melhores. Por isso, declarações de CR7 depois da goleada da última terça-feira pregaram um discurso de união interna.

- Eu acho que o principal é a equipe, estar unido com eles, estar unido com as nossas famílias. E sabermos o que podemos controlar. Todo o resto que vem de fora, não podemos controlar - comentou Cristiano na zona mista do estádio de Houston.

A frustração com o resultado ruim na estreia fez com que o noticiário da seleção portuguesa se tornasse palco para troca de acusações. Para alguns críticos, CR7 estaria atrapalhando a equipe e, aos 41 anos, deveria permitir que novas maneiras de jogar aparecessem, com outros atletas - e o técnico Roberto Martínez também teria culpa ao mantê-lo como titular absoluto. Para outros, o grande problema seriam os companheiros de Cristiano, que não estariam o acionando como deveriam.

O debate, que se perpetuou nas mesas redondas de Portugal, ganhou as redes sociais - alimentando ainda mais as polêmicas. Houve, por exemplo, uma troca de farpas entre familiares de CR7 e de João Neves, que disse após o duelo contra a RD Congo que o veterano era mais um jogador no elenco. Um prato cheio para teorias de que o dia a dia na seleção portuguesa anda complicado.

Cristiano Ronaldo pediu que elenco não dê espaço ao "que vem de fora" em Portugal — Foto: Getty Images

O craque, no olho do furacão, se manifestou através de postagens enigmáticas, mas que mandaram recado. Numa delas, escreveu "Sempre unidos", em foto ao lado de atletas como João Neves. Após a grande atuação individual e coletiva em Houston, ele saiu em defesa de todos os criticados.

- Podemos dizer que foi uma semana muito dura, uma semana difícil, na qual a opinião pública foi muito dura conosco. Com todos os jogadores, em especial eu e o treinador. Mas é sempre assim, não tem problema. Já são 23 anos de profissão e sempre quando as coisas vão bem, Cristiano é bom. Quando vai mal, é um aposentado, está velho. Sempre será assim. Pelo bem, demos uma resposta, eu e meus companheiros, que era o que queríamos - disse CR7.

Discurso do capitão encontra eco

O discurso de união encontrou eco entre os outros jogadores que conversaram com a imprensa após a goleada sobre o Uzbequistão. Na zona mista, os responsáveis pela comunicação na seleção fizeram questão de pedir mais de uma vez que fossem feitas perguntas sobre o jogo, não apenas sobre Cristiano Ronaldo - tentando evitar que os atletas fossem bombardeados com questões sobre o ambiente. Ainda assim, o tema surgiu de forma recorrente.

O atacante Francisco Trincão, por exemplo, disse que a união que o elenco busca foi resumida pelo abraço coletivo a Cristiano Ronaldo após o primeiro gol da partida.

- Representa união, aquilo que já tínhamos falado antes do Mundial. Sabemos que ia ser difícil, mas representa acima de tudo a união que este grupo tem. Acho que é uma força que nós levamos para dentro de campo - comentou.

O meia Bruno Fernandes, outro líder dentro do grupo, respondeu às questões sobre Cristiano de maneira tranquila e até explicou que os lances de desencontro no duelo contra a RD Congo foram consequências de nervosismo e de uma tentativa de não perder o controle do jogo.

Perguntado sobre as críticas enfrentadas pelo grupo nos últimos dias, o meia minimizou e também pregou um olhar exclusivamente para dentro da delegação.

- Nada a dizer. É o normal, já estamos habituados, faz parte do futebol, as pessoas têm a sua opinião, não podemos mudar isso. O que podemos fazer entre nós é tentar ganhar jogos, que isso é a única maneira que conseguimos abafar um bocadinho as coisas - pontuou.

Portugal está na segunda colocação no grupo K da Copa do Mundo, com quatro pontos, atrás da Colômbia, que lidera, com seis. Desta forma, o confronto contra os colombianos, no próximo sábado, em Miami, terá grande importância: os lusos precisam vencer para terminar a chave na primeira colocação. Um empate garante a Colômbia em primeiro, e Portugal em segundo. Uma derrota, porém, abre a possibilidade de o time ficar em terceiro lugar, caso a RD Congo goleie o Uzbequistão.

← Sport